LENDA

 

Lenda do PapagaioPapagaio-moleiro

As piadas e histórias contadas pelo povo ao longo dos anos imortalizaram Taipu como sendo a terra do papagaio. Só que entre uma piada e outra, tentamos encontrar a verdadeira história do porquê “terra do papagaio” ou “terra do louro”.

Gumercindo Saraiva em seu livro “Lendas do Brasil”, escreveu sobre está lenda que perdura até os nossos dias e que jamais será esquecida. Diz Gumercindo que logo após a inauguração da Estrada de Ferro Central em 1907, surgiu as rixas que envolveram os ceará-mirienses e taipuenses, e daí o aparecimento da expressão “Terra do Papagaio”, que por sinal é a versão mais conhecida entre nós, apenas com algumas modificações.

“Contam  que  depois  de  uma  cheia,  quando  se  viam pedaços  de  paus, cercas, restos de casas,  móveis,  animais  mortos…  ao  longe foi  visto  um  galho  de árvore, e junto a ele um papagaio. Toda a Vila reuniu-se para salvar-lo. Tiraram-no d´água, enxugaram-no e deram de comer ao pobre bichinho, que muito perguntou que terra era aquela, alguém respondeu que era Taipu e que não se preocupasse que ele estava em casa. Foi aí que para surpresa de todos, o papagaio bateu asas e num forte grito ordenou que o coloca-se de volta na água pois não queria ficar naquela terra atrasada, voando para correnteza que aumentava naquele momento. E em sua despedida ainda falou: “Antes uma boa morta afogada do que ficar por aqui”.

Por coincidência, estando a trabalho em Ceará Mirim, encontrei “Seu Geraldo  do  Correio”,  antigo  funcionário  da  ECT  em  nossa cidade, figura popularmente conhecida do nosso povo nas décadas de 70 e 80, que para minha surpresa me contou uma nova história para esta lenda.

Segundo “Seu” Geraldo, os holandeses que estiveram no Rio Grande do Norte na época da colonização, buscavam sempre as margens dos rios para desbravarem e entrarem rumo ao interior do Brasil.  Quando expulsos,   um  grupo de holandeses fixou-se onde hoje se encontra a cidade de Taipu. Com uma população  sempre  branca e de cabelos louros  ou  galegos,  logo  Taipu ficou sendo  conhecido como a  “Terra do Louro”.  Não por que existissem papagaios, mas sim, por existir muita gente de cabelos louros.

Apesar de não existir documentação histórica que comprove esta versão, a população de Taipu era composta basicamente por pessoas brancas, o que não deixa de servir para levantarmos hipóteses de que o primitivo colonizador tenha sido de origem holandesa.

Contam também, que por ser Taipu uma terra de pouca precipitação pluviométrica, era seca como língua de papagaio e daí o apelido.

Outra história contada, é que pelo fato do povo de Taipu falar demais, era conhecido como papagaio, e segundo o poeta taipuense Luis Viana, em seu livro “Temas e Reflexões”, ao falar da “Buraca”, ele comenta: “Situada entre o rio e os quintais, tinha todas as aparências de confidencias violadas, onde se sabia tudo o que se passava e o que estaria para acontecer na terra, apelidada, talvez por isso mesmo de papagaios!”.

Durante muito tempo, o nosso povo ficava furioso com quem passava por Taipu  e  pedia  o  pé,  ocorrendo  inclusive  brigas.  Conta  à  tradição  oral que um caixeiro viajante vinha de Natal com destino a Macau no trem. O pobre homem, estava com o dedo ferido e amarado por uma tipóia e como doía muito resolveu coloca-lo fora da janela com o objetivo de aliar a dor, ao passar por Taipu um vendedor de rolete de cana, pensando que o mesmo estava pedindo o pé, passou o facão no dedo doente do viajante, e ainda disse que aquilo era para ele nunca mais pedir o pé a ninguém e que da próxima vez cortava-lhe o braço.

Em conversa com antigos moradores comentei porque Taipu era chamado de Terra do Papagaio o  do  Louro, descobri que realmente têm fundamento as histórias, não porque o papagaio desceu na correnteza, mas sim, por que existia realmente papagaio em Taipu.

Taipu era uma região de grandes matas, atualmente não existindo devido a crescente exploração da cana de açúcar e do desmatamento desordenado onde havia papagaios. Quando alguém queria compra-los dizia que iria a te Taipu, como muitas pessoas não sabiam onde ficava, logo vinha a pergunta: Taipu! Onde fica? E como resposta: Taipu! A terra do papagaio, logo após Ceará Mirim.

Em conversa com o professor Cláudio Emericiano, homem inteligente e culto da nossa Universidade, falei sobre o assunto. Professor Cláudio, afirmou que quando criança passava suas férias em  Pedro Avelino  e  lembra  muito  bem  que  quando  o  trem passava por Taipu, era comum ser visto nas matas, nas cercas e ao longo da via férrea, uma espécie de papagaio  pequeno,  todo  verde,  reforçando  assim  a  teoria de que Taipu havia realmente papagaios.

Para que a piadinha sem graça, contada por muitos deixasse de perturbar, a população passou a usar o papagaio como símbolo do município. Durante estes anos, Taipu já contou com um Jornal chamado O Papagaio; Fazenda com nome de Papagaio; Um bloco carnavalesco com o nome de Papagaios na Folia e até mesmo uma boate, que se chamou Papagaio.

Com o passar do tempo a população deixou de se incomodar com estas piadas, o tempo passou, mais a tradição ficou e orgulhosamente ainda não esqueceram de dizer: ME DÊ O PÉ MEU LOURO.

Bibliografia

ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO RN.

CASCUDO, Luís da Câmara. Nomes da Terra. Fundação José Augusto. Natal.

CASCUDO, Luís da Câmara. História da Cidade do Natal. Fundação José Augusto.Natal.

GALVÃO, Hélio. História da Fortaleza da Barra do Rio Grande.

JORNAL Folha de Touros. 1995

JORNAL Gazeta do Vale.

LIVROS de Sesmarias do Instituto Histórico e Geográfico do RN.

SARAIVA, Gumercindo. Lendas do Brasil.

SENNA, Júlio Gomes de. Ceará Mirim Exemplo Nacional. 1972.